PAI,
Não foi preciso dizer ADEUS.
Adeus – Uma contração da expressão “a Deus”. Indicando recomendação a Deus, uma forma abreviada de desejar proteção de Deus a alguém que partia. Mas, no meu caso não foi eu que expressou, nem tive como...
ADEUS – era o que sempre me desejava, quando me despedia, não com a palavra, mas, com os gestos, com o olhar profundo e cansado. Os dias, os meses, os anos... uma vivência de cinco décadas olhando o seu olhar que sempre me encomendava A DEUS.
PAI,
Se fosse possível nascer fisicamente outra vez, queria que fosse meu pai novamente, e eu disse isso, mesmo antes que o senhor partisse. Nenhuma mágoa, nem um sentimento de desprezo, pelo contrário, sempre uma recomendação A DEUS. Sempre o cuidado, sempre os ensinamentos, sempre o exemplo. Nessas cinco décadas, nunca conheci ninguém tão sério, tão honesto, de uma vida ilibada como a sua.
PAI,
As imagens que não saíram e jamais sairão da minha cabeça, são imagens de um homem trabalhador incansável, de um lutador, de um desbravador, um homem sisudo, um visionário... aprendi os seus passos, na honestidade, no averso da corrupção, no sentimento puro de conquistar pelo trabalho, pelo esforço, e na entrega dos filhos A DEUS.
PAI,
Os pais são anjos incansáveis que recomendam os filhos A DEUS. E a gente pensa que são ilimitados, que são infindáveis no plano físico, achamos que nunca vão partir. São anjos que mesmo incansáveis na entrega dos filhos A DEUS, chegam ao dia de partir.
PAI,
Eu sempre escrevo IN MEMORIAM, uma HOMENAGEM PÓSTUMA para pessoas que amo muito, mas, aguardei por uns dias, talvez um tipo de negação do luto, um mecanismo de defesa temporário que a mente usa para amortecer o choque. Mesmo prevendo a possibilidade, a mente não aceita muito a partida, mas na véspera o senhor recomendou todos A DEUS. Todos os filhos, filhas, genros, noras, netos, netas, bisnetas... aquela que o senhor escolheu para formar a família, minha mãe, todos que entraram no seu leito, o senhor recomendou a benção de Deus e a recomendação A DEUS era a despedida. Mas, a mente demora para reagrupar as ideias, demora para aceitar o adeus.
PAI,
O último suspiro nas minhas mãos, nas mãos da minha irmã e cunhada são imagens impossíveis de esquecer. O senhor estava partindo, buscando a oxigenação que não entrava, mas, antes disso já vinha dizendo ao PAI ETERNO: “Estou pronto Pai. Estou pronto Pai...”. O último suspiro estava repleto de significados e significância. Por um lado, o sentido real do último suspiro, por outro lado toda a relevância prática do que significou sua vida e do que é relevante para seguirmos adiante. Eu não podia dizer ADEUS, o senhor já estava nas Mãos Magnificas do Altíssimo. Não fiz reinvindicações para o Eterno, apenas agradeci ao tombar de uma vida dedicada ao serviço de Deus, dedicada ao trabalho, dedicada a família, e entregue A DEUS.
PAI,
Esquecer é uma impossibilidade. Hoje as imagens do meu subconsciente vieram, hoje, 30 dias de ausência, sonhei com um abraço e um beijo em lágrimas, suas e minhas. Meu subconsciente está tão consciente que trouxe as imagens. Parece ser mais uma daquelas imagens de recomendação, de cuidados A DEUS.
PAI,
Quando eu era criança o via tão forte, tão disposto, tão vivido, tão lutador. Me lembro dos cultos nas ruas, no leprosário, uma lembrança longínqua, mas que não sai da cabeça. Lembro da fábrica de cimento, um cinzento nas imagens da lembrança. Lembro do cuidado, lembro do esforço... tudo era uma recomendação A DEUS.
PAI,
Cada conselho, cada exemplo, cada palavra, cada observação, cada experiência... é impossível esquecer. O senhor foi um anjo bom que me ensinou a ética, a moralidade, a honestidade, o trabalho incansável... o olhar nas despedidas sempre era uma recomendação A DEUS.
PAI,
Cada conquista minha, sempre foi um orgulho para o senhor. Me chamar de doutor, de pastor, as vezes me dava uma sensação de alegria, mas, de muito peso, muita responsabilidade. Era vinda de alguém que foi usado por Deus para dar os meus primeiros passos, que me ajudou a conquistar minhas primeiras láureas, sempre me recomendando A DEUS.
PAI,
Tudo o que sou e que tenho, foi Deus primeiro e depois o senhor e a minha mãe. Vocês nunca me abandonaram, nunca me rejeitaram, nunca negaram um afago, uma mão amiga, uma mão de pai e sempre me entregando A DEUS.
PAI,
Quando fecho os meus olhos vejo o rosto sisudo, de poucas palavras, de difíceis sorrisos, mas, lembro que conseguia arrancar sorrisos do senhor... o senhor parava, me ouvia, escutava minhas conquistas, ficava feliz. Não apenas as minhas, mas de todos os meus irmãos e irmãs e a todos o senhor nos apresentava A DEUS.
PAI,
Antes de sua viagem o senhor tinha me dito que faria a viagem. Que havia chegado o tempo. No dia anterior a viagem, o senhor contou a minha mãe as duas visões que havia tido e a bondade de Deus lhe deu o significado: Era a vitória, era o triunfo. Os guerreiros, os generais sempre recebiam ramagens de flores, representando a vitória, a conquista. O senhor combateu o bom combate, acabou a carreira, mas guardou a fé. O senhor triunfou e o Senhor dos Senhores, o Rei dos Reis lhe deu a ramagem de flores como triunfo. Mas, antes de ir, o senhor abençoou a cada um de nós, a todos, o senhor fez o que sempre fazia, nos entregou A DEUS.
PAI,
Agora na alegria com Jesus, na Paz, no Triunfo com o Pai Celestial, o senhor já está cantando as maiores e mais belas melodias. Antes o senhor já cantava: “AO MEU REDOR DEUS SEMPRE ESTÁ, AO MEU REDOR, AO MEU REDOR PRA ME GUIAR COM SEU AMOR, TÃO PURO E BOM”, e agora canta uma canção celestial.
Aqui ainda continuaremos por mais alguns tempos. Alguns irão ao seu encontro também fazendo a viagem e outros serão arrebatados ao encontro de Jesus ao lado de quem o senhor já está. Enquanto isso, todas as orações A DEUS, todas as recomendações estarão válidas e eficientes diante de Deus.
OBRIGADO POR TUDO E POR TANTO PAI.