quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

A pressa e o desperdício do tempo



Pressa - falta de calma e paciência nas ações. Uma palavra oriunda do latim, feminino de prēssus, que parece ter o sentido de "apertado", "imprensado". A pressa dá-nos a ideia de fazer algo com urgência, com rapidez... É algo que implica em velocidade de ação.

Vivemos correndo de um lado para o outro, principalmente nos dias atuais. Mesmo em meio ao caos, estamos sempre apertados com o tempo. É difícil pararmos, numa contínua pressa estamos dia após dia e os dias parecem enlouquecidos.

Quase não temos tempo pra nada, e quando o tempo se apresenta, utilizamos para coisas vis, banais... perdemos o máximo de nós, perdemos o máximo do tempo.

Na correria, esquecemos de parar e saudar o amigo, impomos sobre nós mesmos a pressa de fazer o "vazio", não olhamos para os lados, esquecemos de abraçar quem amamos e quem nos ama também. Nos apressamos em dizer "tchau", ou não temos tempo de fazê-lo, mesmo quando esse "tchau" será um adeus.

Na pressa não olhamos no profundo, para dentro dos olhos... olhamos com pressa, não entendemos o pedido de socorro do outro e as vezes não temos tempo de pedir socorro.

Quando corremos vemos paisagens distorcidas, não conseguimos fixá-los com a devida apreciação.

Na pressa é impossível ouvir os cânticos dos pássaros, o som penetrante e profundo da natureza, os ventos que passam sobre os nossos corpos, a melodia graciosa das águas, a pintura especial do azul do céu e as nuvens que passam.

Faltou-nos apertos de mãos, abraços, sorrisos (gargalhadas), beijos, conversas (diálogos que silenciaram dentro de nosso ser), olhares cândidos... faltou-nos o tempo...

Bastava minutos, apenas um ouvido (dois) e se entenderiam os incontáveis momentos noturnos de pensamentos que nos passaram depois pela mente de como teriam sido, se tivéssemos ouvido, faltou-nos o tempo.

No vai-e-vem da vida sobra-nos momentos, mas desperdiçamos pelo exagero de acharmos que nossas necessidades pessoais são extravagantes demais para nos importarmos com o tempo, e aliás, nem mesmo nossas necessidades pessoais são atendidas pelo curto espaço de tempo que achamos que temos.

Esbanjamos falta de tempo, mas há lacunas precisas que não conseguimos verificar, afinal, fomos programados para desperdiçarmos o tempo.

Precisamos de tempo  para olharmos para dentro de nós mesmos. Precisamos de tempo para olhar o outro. Precisamos de remir o tempo.

Ainda há tempo de resgatarmos a necessidade de aproveitarmos cada momento, de verificarmos o que deixamos de fazer e fazer com maestria e ajuda do tempo.

Para cada coisa há tempo. Tudo tem um tempo determinado (Salomão). Só precisamos entendermos que somos limitados demais para o desperdício de tanto tempo.



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Imagem do Google


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